Imagens usadas na colagem, da esquerda para direita: "Chegada de Muratori", Cícero Dias, 1927; "Auto-Retrato", sd, Ismael Nery; "Sem título (cabeça de Cristo)", 1925, Antônio Gomide; ilustração de Di Cavalcanti para livro "Fantoches da meia-noite", de Monteiro Lobato; "A Negra", 1923, de Tarsila do Amaral; "Portadora de Perfume", de Brecheret; estudo de poltrona, de John Graz
 


 
Farnese di Castro, Itália, 1894 - São Paulo, SP, 1955 
O escultor Victor Brecheret tem um papel diferenciado e fundamental no Modernismo Brasileiro: junto com Anita Malfatti e Lasar Segall, é figura importante do período 'heróico', constituindo os antecedentes da Semana de 22, que se caracterizam pelos acontecimentos mais importantes na formação inicial do grupo modernista. Além disso, se destaca nos anos 20 e 30 como artista da escola de Paris e nas décadas de 40 e 50 no cenário artístico de São Paulo, com monumen-tos públicos, funerários e decorativos de fachadas, como o 'Monumento às Bande-iras', hoje um dos símbolos da cidade.

Diferente dos artistas do nosso modernismo, Brecheret é de origem humilde. Imi-grante italiano, órfão de mãe, vem a São Paulo com seus tios maternos. Trabalha em uma loja de calçados durante o dia e, à noite, faz cursos no Liceu de Artes e Ofícios. Com economias, em 1913 seus tios o mandam para Roma, mas dada a sua falta de formação, não é aceito na Academia de Belas Artes. Entretanto, é recebido como discípulo de Arturo Dazzi, o mais famoso escultor italiano do momento, aprendendo com este as técnicas da modelagem, além de conhecimento de anatomia.

Nesta época, recebe grande influência do escultor sérvio Ivan Mestrovic quanto à expressividade, tensão, alongamento e torsões das figuras. De 1916 a 1919 participa com destaque em mostras coletivas em Roma.

Em 20 retorna a São Paulo e é descoberto pelos jovens modernistas que extasiados diante de suas esculturas, o convertem em elemento polarizador do grupo. De fato, o artista e sua obra inspiram personagens de romances de Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia. Ainda traduz para escultura os poemas de Guilherme de Almeida e Menotti. A sua escultura 'Cristo de Trancinhas', adquirida por Mario de Andrade, é o elemento desencadeador dos seus primeiros versos modernistas de Paulicéia Desvairada. Celebrado como um gênio e influenciado pelo espírito nativista do grupo, realiza a primeira maquete do 'Monumento as Bandeiras'.

Em 1921, com uma bolsa de estudos de cinco anos, vai a Paris. Esta estadia se estende por quase quinze anos, com vindas esporádicas ao Brasil para expor seus trabalhos. Em Paris participa de vários salões, convivendo intensamente com artistas como Fernand Léger, Picasso, Archipenko, além de brasileiros como Anita, Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro e Antônio Gomide - seu vizinho de ateliê. Como a maioria dos artistas da Escola de Paris, Brecheret está sensível à emergência do Art Déco que marcou a visualidade a partir de 1925 - com a Expo-sição Internacional das Artes Decorativas e Industriais Modernas. Alinhado a esta arte de vanguarda, modifica sua escultura, adotando formas geometrizadas, lisas e luminosas, sendo bastante elogiado pela crítica. Torna-se um importante artista da Escola de Paris, tendo recebido o título de cavaleiro da legião de honra, e sua obra, 'Grupo', de 1932, é adquirida pelo Museu Jeu de Paume - obra que irá desaparecer durante a Segunda Guerrra. 

Cabeça de Cristo (Cristo de Trancinhas), 1920, coleção IEB-USP
 

 
Nos anos 30, participa intensamente da vida artística no Brasil, como sócio fundador da SPAM - Sociedade Pró Arte Moderna e nos Salões de Maio ( 37, 38 e 39 ), quando já havia voltado definitivamente para São Paulo para realizar o 'Monumento às Bandeiras'. Na década de 40, ganha o concurso de outro monumento público, em homenagem à Duque de Caxias. Nesta época introduz elementos brasileiros em sua obra, interessado na arte indígena. As peças escultóricas aproximam-se da abstração, formas essenciais, primitivas, com um torneado rústico, caracterizando a fase de maturidade do artista - esculturas quase abstratas em suas deformações e encadeamento orgânico de volumes. Foi consagrado o melhor escultor nacional na I Bienal de São Paulo, em 51 e, após a sua morte em 55, a IV Bienal dedicou-lhe sala especial.


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