De cima para baixo: Paisagens com Figuras, 1942 , Rebolo Gonçalves, Col. MAC-USP; Praça da Sé, 1940, Manuel Martins, Col. Part.; Paisagem de Mogi das Cruzes, 1930, Alfredo Volpi, Col. MAC-USP; Paisagem, 1943, Aldo Bonadei, Col. Part.;

Os anos 30 e 40 foram de sistematização do modernismo, ou de rotinização do programa das vanguardas. A geração agora atuante nas artes plásticas se caracteriza pela ausência de uma formação erudita internacional e de informação acerca das vanguardas dos grandes centros. Seu conhecimento do ofício da pintura provêm dos cursos profissionalizantes do Liceu de Artes e Ofícios e de seus mestres. Os artistas desta geração são operários e artesãos que vivem com dificuldades, que trabalham em outros ofícios para se sustentar.

A continuidade do espírito moderno se dá geralmente através de associações ou grupos de artistas no Rio, em São Paulo, e em Belo Horizonte. Em São Paulo surgem, a partir de 32, a Sociedade Pró Arte Moderna ( SPAM ) e o Clube dos Artistas Modernos ( CAM ), o grupo do Santa Helena e o grupo dos nipobrasileiros, o Seibi-Kai, além dos desdobramentos destes grupos, como a Família Artística Paulista, os Salões de Maio e a Osirarte, entre outros. No Rio de Janeiro acontece em 1931 o Salão Revolucionário, de onde emergem o Núcleo Bernadelli e o Grupo Flor do Abacate, além de Cândido Portinari de forma isolada; em Belo Horizonte, Alberto da Veiga Guignard inicia o projeto do modernismo, com seu ateliê-escola.O grupo do Santa Helena está presente com seus principais artistas - Bonadei, Graciano, Pennacchi, Rebolo , Volpi e Zanini - e os temas característicos: paisagens urbanas, semi-rurais, cenas populares de interior ou de festas. Elementos próximos aos santelenistas, Ernesto De Fiore e Póla Rezende, mais tarde trazem ecos do expressionismo alemão na pintura e na escultura. As obras de Portinari - um retrato simbolista e uma complexa composição com figura de qualidade monumental, e a paisagem de José Pancetti trazem os rumos da modernidade carioca. A cena lírica e paisagem mineira de Guignard é uma amostra do percurso da modernidade em Minas.
É interessante ressaltar a aproximação americana que irá tomar lugar com a iminência da Segunda Guerra, o que irá trazer financiamento para alguns artistas e levar diversos modernos brasileiros a expor nos Estados Unidos, apesar de negligenciar uma temática de crítica social em prol de uma exaltação aos trabalhadores rurais e mestiços. O destaque dado a essas exposições nos jornais brasileiros denunciam o provincianismo da crítica brasileira, atendendo aos anseios tanto americanos quanto do próprio governo brasileiro de proporcionar uma visão paternalista e preocupada com as questões da liberdade e dos trabalhadores. Esta política beneficiará Portinari, premiado no Carnegie Institute e recebendo grande projeção no Pavilhão Brasileiro na Feira Mundial em Nova York, em 1938.


Cassandra Gonçalves
(Bolsista IC- FAPESP)
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
(Orientadora do Projeto)