(Salvador, BA, 11 de novembro de 1932)

Artista bastante regional, enraizado e apaixonado pela temática baiana, Calasans Neto é reconhecido internacionalmente pelas suas gravuras. No entanto, começou estudando pintura no ateliê de Genaro de Carvalho, para somente depois passar para a gravura, em metal, que estudou com Mário Cravo na Escola Nacional de Belas Artes da Bahia; mas foi na madeira que sua obra chegou à máxima expressão.

Agitador cultural nos anos 50, em busca da renovação das artes plásticas em seu estado, fundou com Glauber Rocha e outros artistas a Jogralesca, espécie de grupo de leitura de poemas teatralizados, e com eles criou a revista Mapa, para expor suas idéias sobre literatura e arte. Foi ainda o fundador das Edições Macunaíma, especializada em livros ilustrados de tiragem limitada. Fez cenários para teatro e cinema, como para o filme Deus e o diabo na terra do sol, ilustrou livros de Jorge Amado, como Tereza Batista cansada de guerra e Tieta do Agreste.

Suas gravuras tem como tema a Bahia e seus mitos, e parecem tentar resgatar a tradição das gravuras populares do nordeste. Calasans pintou várias séries retratando a praia de Itapuã a partir de 1974, mas em toda a sua obra podemos encontrar sóis, peixes, cabras, o mar, o farol, o povo, sempre carregados da luminosidade baiana tão difícil de representar na madeira - e que acabam tornando a própria matriz em uma obra de arte acabada. Na década de 80, Calasans retomou a pintura, tão diferente da sua gravura quanto importante. Quadros coloridos onde o homem não aparece, mas onde se pode ver a representação dos mitos de Calasans de uma maneira mais viva e pungente.

Calasans Neto, sempre trabalhando com séries fechadas, numeradas e assinadas, produziu milhares de gravuras. Fez exposições em várias cidades da Europa e dos Estados Unidos e, como Sérvulo Esmeraldo, contribuiu para divulgar a gravura brasileira no exterior.

Cassandra de Castro Assis Gonçalves [bolsista IC - FAPESP]
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado [orientadora]