Alfredo Volpi
( Lucca, Itália, 1896 - São Paulo, Brasil, 1988 )

Volpi foi um dos grandes pintores brasileiros. Em sua arte fundiram-se o imaginário popular nacional e a tradição da pintura italiana pré- renascentista de Giotto, do artista- artesão da corporação de ofício da pintura, aliando cores e formas geométricas, ingênuas e essências.

Humilde imigrante italiano, chegado à São Paulo ainda criança, teve que compartilhar sua arte com outras atividades - entre elas a de pintor e decorador de paredes - que permaneceram nos processos artesanais de sua pintura: serrava madeira para os bastidores, comprava o tecido e esticava-o para as telas, misturava os pigmentos coloridos com clara e gema de ovo e óleo de cravo, para o preparo da têmpera. Era autodidata. Passou por várias fases buscando sempre se aperfeiçoar no seu métier, e só alcançou reconhecimento em 50, às vésperas da I Bienal de São Paulo.

Sua obra inicial tinha características expressionistas e impressionistas. Nos anos 30 e 40, um dos elementos polarizadores do Grupo Santa Helena, Volpi é atuante nas mostras da Família Artística Paulista, bem como na Osirarte, empresa de azulejaria, onde coordenou o ateliê de pintura. A partir do contato com artistas italianos, particularmente Cláudio Rossi Osir e Ernesto de Fiore, que lhe informaram quanto às técnicas e à estética da tradição da pintura italiana, sua arte ganhou cores mais claras, transparências brancas, amplitude de atmosfera e uma temática mais rica. O desenho tornou-se mais importante a partir de 1945 e as cores mais frescas e límpidas. Com uma maior depuração de formas e uma maior autonomia em relação à realidade visível, limitou a temática às fachadas de casarões antigos, mastros de barcos e bandeirolas de papel retomadas com infinitas variações.

Despertou a admiração dos artistas concretos, na I Bienal de São Paulo. Sua pintura abstratizante de valores construtivos, elaborada em têmpera luminosa e transparente, com tonalidades de azuis, rosas, verdes e marrons claros, ganhou maturidade nas décadas de 60 e 70.

Daisy Peccinini