Pintor participante do Grupo Santa Helena e da Família Artística Paulista, Humberto Rosa é um dos integrantes menos conhecidos destes dois movimentos. No entanto, suas obras, especialmente as paisagens, registram a origem interiorana e a vida na São Paulo em expansão, relacionando estas duas experiências. Um olhar retrospectivo da obra do artista estabelece um panorama da realidade paulista na década de 30 e 40, unindo com sutileza a tradição do Estado com as novas problemáticas surgidas com a industrialização.

Oriundo de família italiana, começa a trabalhar cedo, em Santa Cruz das Posses, ajudando o pai em seu armazém. Sua primeira pintura de visibilidade ocorre na juventude, ainda como autodidata, quando decora a sacristia da Igreja da Sagrada Família, em sua cidade natal. Somente em 1927, passa a residir em São Paulo, ingressando na Escola de Belas Artes, onde permanece até 1932. Na capital, conhece Rebolo Gonsales, que o leva a freqüentar os ateliês do Palacete Santa Helena. Ao contrário de alguns integrantes do grupo, não exerce atividades ligadas ao meio operário, se sustentando com o salário de professor de desenho, profissão que exerce até o final da vida. Apesar disto, mantém a característica dos colegas e valoriza o homem suburbano em suas pinturas. Mário de Andrade, referindo-se as obras de Rosa, cita a frase de Sérgio Milliet sobre o Santa Helena: "Mesmo pintando Itanhaém ou uma natureza-morta, estes artistas tudo enxergam através da miragem de subúrbio paulistano". Retratando paisagens interioranas, especialmente de regiões do Vale do Paraíba, figuras humanas ou naturezas mortas, com clara influência de Cézanne, mostra afinidades com os artistas da época e um lado primitivista peculiar.

Participa da mostra da Família Artística Paulista, nas edições de 1937 e de 1940, do Salão de Belas Artes de São Paulo, em 1940, e do Salão de Belas Artes do Rio Grande do Sul, no mesmo ano. Apesar da presença neste eventos importantes, sua obra é pouco conhecida. Com uma saúde fragilizada, acaba não produzindo tanto como os outros santelenistas, devido à morte precoce. Acaba não realizando a mostra individual que planejava no ano de 1946. Postumamente, suas obras acabaram se perdendo e se dispersando, de forma que seus trabalhos se tornaram artigos raros e preciosos para a compreensão dos movimentos artísticos das décadas de 30 e 40.


Carolina Amaral de Aguiar
(Bolsista IC - FAPESP)
Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)
De cima para baixo: São Luis do Paraitinga, 1939, Col. Part.; Ubatuba, 1939, Col. Part.
De cima para baixo: São Luis do Paraitinga, 1939, Col. Part.; Ubatuba, 1939, Col. Part.