Auto-retrato e mão, 1942, Col. Biblioteca Mário de Andrade/SP

Foi na cidade de Leme que Clóvis Graciano, ainda menino, interessou-se por arte. Passava seus dias na oficina ajudando a decorar com pinturas a óleo as carroças e as charretes, desenhando flores, traçando iniciais, e outros.
Ao completar vinte anos emprega-se na antiga Companhia Ferroviária Sorocabana, mas sem abandonar os pincéis. Lá, faz os letreiros e avisos para as estações de trem. Ainda no interior, quando chegam os primeiros automóveis, Graciano passa a pintar carrocerias.

Com a revolução de 1932, o artista é preso, enviado ao Rio de Janeiro e transferido para a penitenciária da Ilha Grande. Mais tarde, em São Paulo, conhece Portinari, o que marcará sua obra no sentido de liberá-lo do domínio do desenho. Também encontra-se com outros artistas e vai somando os estudos às suas experiências como autodidata. Entre 1935-1937, frequenta a Escola Paulista de Belas Artes e o ateliê de Waldemar da Costa para desenvolver e aprimorar o seu traço. E, assim, logo organiza o seu próprio ateliê. Como membro participante da Família Artística Paulista, é eleito presidente em 1938.

A sua primeira exposição individual de desenhos foi no Centro Paraense, em 9141. Obtém em seguida uma série de prêmios no Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e termina por receber o ‘prêmio viagem’ em 1948. Fixando-se em Paris, Graciano estuda o mural e a gravura; visita outros países e realiza uma série de exposições até 1951. A estada na Europa não modifica seu estilo: o desenho continua marcado e decidido, expressionista. Sempre figurativa, a obra de Graciano revela sua participação na Família Artística Paulista, em que o interesse pelo aprimoramento técnico e pela manuntenção de um bom nível artístico sobrepuja as polêmicas conceituais. Além da pintura, Graciano dedica-se a outras atividades paralelas: como professor de cenografia na Escola de Arte Dramática de São Paulo; desenhista de ilustrações em jornais, revistas e livros; presidente do Clube dos Artistas e sócio fundador do Museu de Arte Moderna. Foi designado em 1971, diretor da Pinacoteca do Estado, presidente da Comissão Estadual de Artes Plásticas e do Conselho Estadual de Cultura.

Suas telas figuram em museus e coleções particulares do Brasil e do exterior. Dedicando-se à pintura mural, Graciano executou mais de cem murais no Rio de Janeiro e em São Paulo. Entre eles os painéis da avenida Rubem Berta e os do novo Paço Municipal de São Paulo. Em sua obra predomina a temática social humana, homens e mulheres de uma sociedade dinâmica, quer seja lúdica nas festas populares, quer seja laboriosa nos campos e na cidade, ou como personagens históricos de acontecimentos registrados na memória do país.

Em outubro de 1971, foi inaugurado, em São Paulo, o I Museu da Calçada com uma obra de Graciano, repetida em 73 placas por todo o percurso da Avenida Paulista.

Profª Drª Daisy Peccinini

Dança das Bandeirolas,  1943