A pintura de Aldo Bonadei se constitui em uma forte contribuição para a modernidade paulista nos anos 30 e 40 bem como espelha de forma pioneira os caminhos da abstração, reforçados a partir dos anos 50. O interesse pela pintura vem desde a infância, em 1915, aos nove anos de idade, executa a primeira pintura a óleo. Prossegue seus estudos como autodidata até 1923, quando vai estudar em São Paulo com Pedro Alexandrino e freqüenta o ateliê do italiano Antonio Rocco, pintores acadêmicos. Os anos de 1929 e 1930, marcam um período importante da formação de Aldo Bonadei através dos contatos com o professor de arte Amadeo Scavone e viagem de estudos realizados na Academia de Belas Artes de Florença. Retornando a São Paulo em 1931, após um período de transição, aproxima-se por volta de 1935 dos artistas do Santa Helena em sua maioria autodidatas. Mantém vínculos com estes companheiros, mesmo depois que deixa de ocupar uma das salas em 1937 e monta seu ateliê na a sua casa onde se dedicava com a família à confecção de costuras e bordados.

Ele é participante das sessões comuns de desenho de ateliê no Santa Helena; das saídas do grupo nos fins-de-semana para diferentes lugares, para a pratica de pintura de paisagens. Na segunda metade dos anos trinta, fez parte da Família Artística Paulista, a associação formada preponderantemente pelos Santelenistas. Destacam-se no início da década de 40 suas primeiras experiências de arte abstrata, produzidas a partir da sensibilidade a audição musical. Seu trabalho culmina na direção da abstração com o advento das bienais em São Paulo. Em 1951, participa da I Bienal de São Paulo, assim como das seguintes, e da Bienal de Veneza em 1952: nesta época seu trabalho já vinha sendo considerado abstrato. Por volta de 1956, fase atribulada, tornou-se totalmente abstrato quando fez experiências com diversos e novos materiais: plástico como suporte e papel, tecido, bordados e costuras sobre tela, projetando experiências profissionais próprias, oriundas de seu grupo familiar, dedicado à costura e ao bordado. Em 1959 e em anos subsequentes, além de pintar, exerce a profissão de figurinista, colaborando em diversos filmes. Se as pinturas tornam-se abstratas, no começo da década de 40, produzidas sob a ação da música, o interesse pelo cubismo sintético e a abstração francesa das primeiras bienais em São Paulo orientam as pesquisas de tendências abstratas, sempre paralelamente à arte figurativa.

Basicamente sua obra se situa entre figurativismo e abstracionismo, tendo sempre presente uma visão interior pessoal, cuja importância o artista enfatiza, que ao afirmar "o pior inimigo do pintor é o olho". Esta visão subjetiva é disciplinada por discurso de forma-cores bem estruturadas; composições claras e sóbrias evocadas de Cézanne e Braque.


Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)
Auto-retrato, 1937, Col. Part.