Biografia

Sebastopol - Rússia, 1910
São Paulo - Brasil, 1986

Moussia von Riesenkampf nasceu na Rússia imperial no início do século XX, onde iniciou seus estudos em arte. Pertencente à aristocracia da região da Criméia, foi diretamente afetada pela revolução bolchevista de 1917. Seu pai, um almirante do czar, foi assassinado em fins de 1918; sua mãe morreria logo depois. Fugiu para Constantinopla, de lá foi para Paris e, posteriormente, Hamburgo. Nesta última cidade conheceu o intelectual e empresário paulista Carlos Pinto Alves, com quem partiu para Portugal.

Foi batizada em igreja católica e recebeu o nome "Maria", mas manteve Moussia como nome artístico. Logo depois, casaram-se e vieram para o Brasil. Aqui, o casal passou a freqüentar um círculo da elite paulistana que incluía desde pensadores como Mário de Andrade até aqueles que buscavam forjar uma distinção para além do ponto financeiro, cultivando o então exótico gosto pelo moderno.

Apresentou-se pela primeira vez ao público nacional no bombástico Salão Revolucionário de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1931, expondo as obras Imagem e Retrato da Srta. Alves de Lima. Mário de Andrade, analisando os retratistas nacionais, destacou os trabalhos de Portinari, Tarsila, Guignard e Moussia.

No ano seguinte a artista organiza, ao lado de Regina Graz, uma exposição de pintura e de "arte decorativa" na Galeria Guatapará, à R. Barão de Itapetininga. Seguiram-se algumas exposições individuais, como a da Gallery Passedoigt (Nova York) em 1949. Foi justamente nesta mostra que o MAM-SP adquiriu as obras Nu com Frutas (1940). Posteriormente o acervo deste museu foi doado à USP e desde então esta obra da artista integra a coleção do MAC. Dentre exposições coletivas, figurou no 1º e 2º Salões de Maio.

Foi uma das primeiras defensoras da arte abstrata no Brasil, proferindo uma palestra na Faculdade de Direito de Recife, na ocasião da exposição de Cícero Dias -em 1948, neste mesmo local. Moussia merece que se destaque positivamente sua obra escultórica, pois através desta expressão, nos anos 50, ela soube se valer das questões em voga da época. Produziu trabalhos extremamente antenados com seu tempo, tempo de abstracionismos, em justa oposição a boa parte de seus companheiros modernistas, que levantavam a bandeira da figuração. É com essas esculturas que a artista será devidamente notada nas primeiras Bienais de São Paulo. Logo após a 2ª Bienal foi convidada a configurar o livro "Plastik der Gegenwart" (A Arte do Presente), publicação alemã que pretendia reunir os escultores mais significativos do século. Em 1961, obteve insenção de júri na VI Bienal.

Moussia, desde a conversão, nunca se desvinculou do catolicismo, que com freqüência foi tema de suas obras, mesmo quando estas eram mais abstratas. Explicava não seguir estilos; dizia amar os tons quentes e brilhantes e, em escultura, que Moore era seu artista favorito.
Fez incursões pelo desing de jóias, que considerava "obras plásticas derivadas da escultura", expondo seus trabalhos neste ramo em 1959, no Rio de Janeiro.

Aventurou-se também no cinema, atuando em Brasil Ano 2000, de Valter Lima Jr. e Um Asilo Muito Louco, de Nelson Pereira dos Santos.

Vanessa Machado
(bolsista IC-FAPESP)
Daisy V. M. Peccinini de Alvarado
(coordenadora do projeto)