O Salão Revolucionário caracterizou-se como um espaço que apresentou a produção da primeira geração modernista, já consagrada num meio restrito, porém ignorada pelo circuito oficial, e da segunda geração, que se configurava e aparecia ao público na década que se iniciava.

Dentre os que atuaram nos anos 20, apresentaram trabalhos Tarsila do Amaral (Caipirinha - c. 1923, Feira - 1925 e Santo - s/d), Victor Brecheret (Fuga para o Egito - c. 1924, Tocadora de guitarra em pé - 1923, Tocadora de guitarra sentada - 1927), Lasar Segall (Negra com criança - 1924, Morro vermelho - s/d), Antonio Gomide (Menina - s/d, Nu Cubista - s/d), Di Cavalcanti (Devaneio - 1927) e Waldemar da Costa (Rua de Paris - 1929). Anita Malfatti participou com as telas O homem amarelo (1915-1916), A Estudante Russa (1915) e Interior de Mônaco (c. 1925); as duas primeiras, fizeram parte da exposição rechaçada por Monteiro Lobato em 1917. Só que desta vez seus trabalhos foram bem recebidos pela imprensa, fator revelador do processo de mutação das mentalidades no meio artístico e intelectual nacional.

Ismael Nery e Cícero Dias, os últimos a se integrarem à primeira geração modernista, apresentaram seus diálogos com o surrealismo. Do primeiro, obras como Dois Irmãos (c. 1925), Homem e Mulher (s/d), Homem, madona e cubo (s/d), Nós (s/d), revelam o lirismo de um artista que nunca se alinhou aos círculos intelectuais da vanguarda nacional. Já o segundo, apresentou a obra que mais ia contra a todos os preceitos da ENBA, o painel Eu vi o mundo, ele começava no Recife (c. 1930). O painel transgredia em suas enormes dimensões e no tratamento de temas -como as cenas eróticas que foram mutiladas por reacionários durante a mostra.

Representando a emergente segunda geração modernista, estavam Alberto da Veiga Guignard (Retrato do poeta Murilo Mendes - 1930, Auto-retrato - 1931), Moussia Pinto Alves (Imagem - s/d e Retrato da Srta. Alves de Lima - s/d), Paulo Rossi Osir (Imigrante lituano - 1930 e Peixe dourado - 1930), Victorio Gobbis (Retrato de minha mulher - 1931, Nu recostado - 1931) e Cândido Portinari (Retrato de Manuel Bandeira - 1931, Retrato de Henrique Pongetti - 1931, Natureza Morta - 1931).

Em 1931, Flávio de Carvalho iniciou sua trajetória na pintura moderna e expôs no Salão seus primeiros resultados, como Pensando (1931) ou Anteprojeto para Miss Brasil (1931). Na seção de arquitetura, o artista participou com o Projeto para farol de Colombo, em tempos onde apenas Gregori Warchavchik possuía obras modernistas construídas - e deste Salão participou apresentando as fotografias de tais construções. Flávio de Carvalho participou ainda da seção de escultura, com o trabalho À beira da morte, de forte tendência cubista, que se destacou das demais, no geral muito ligados ao academismo.

Com este vasto cabedal de artistas, o Salão apresentou um considerável quadro da arte moderna que se fomentava no Brasil desde a década anterior; um quadro decisivamente transgressor das normas e tradições estabelecidas na ENBA.

O Salão Revolucionário



O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 1931. "O Salão nº38", Peregrino Júnior.


Revista Forma,
Rio de Janeiro, 1932.
"A Revolução e o Salão Oficial"


Revista da Semana, Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 1931. "O Salão de 1931"

 
 


Artistas que participaram do Salão Revolucionário de 1931

Alberto da Veiga Guignard
Aldo Bonadei
Anita Malfatti (org.)
Antônio Gomide
Cândido Portinari (org.)
Cícero Dias
Di Cavalcanti
Flávio de Carvalho
Ismael Nery
John Graz
Lasar Segall
Paulo Rossi Osir
Quirino da Silva
Tarsila do Amaral
Waldemar da Costa

 
 

Vanessa Machado (Bolsista IC- FAPESP)
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini de Alvarado (coordenadora do projeto)