Hilde Weber
1913 - Waldau, Alemanha.
1994 - São Paulo, São Paulo.

Em uma época em que a grande maioria das mulheres brasileiras ainda não ousava se aventurar por caminhos pouco convencionais e, portanto, redigir notícias e desenhar charges eram atividades reservadas exclusivamente aos homens, Hilde Weber, recém-chegada da Alemanha, iniciava sua carreira de chargista, fazendo um trabalho inédito por aqui, tanto para mulheres como para homens: a reportagem desenhada.

Nascida em 1913, na pequena cidade de Waldau, na Alemanha, passou sua infância e juventude em Hamburgo. Ainda moça, e indecisa entre as artes plásticas e o ballet, acabou ingressando na Escola de Belas Artes de Hamburgo, por influência de sua tia Claire, também pintora e desenhista. Em 1933, resolve vir para o Brasil, a fim de reencontar-se com seu pai, que para cá viera após o término da I Grande Guerra. Encantada com o Brasil, país que adotaria posteriormente como sua terra, resolve ficar por aqui.

De imediato, ainda sem domínio da língua, já estava trabalhando como chargista para os Diários Associados ao lado de Rubem Braga, escritor das reportagens que Hilde ilustrava comentando.

Em meados da década de 30, e como decorrência de seu primeiro casamento, Hilde vai morar em São Paulo, onde entra em contato com os santelenistas e passa a frequentar o grupo em seu atelieres no Palacete Santa Helena, atraída pelas sessões noturnas de desenho com modelos vivos e pelas saídas em grupo para pintar a maneira impressionista. Em 1940, com a criação da Osirarte por Paulo Rossi Osir, ao qual foi apresentada por sua amiga, a gravadora Alice Brill, Hilde passaria a trabalhar no ateliê-oficina de pintura sobre azulejos, ao lado de Volpi, Zanini, e tantos outros, até o ano de 1949.

Na procura de um estilo tipicamente brasileiro, característica marcante em quase todos artistas deste período, Hilde apropriou-se de signos nacionais e temas populares como o abacaxi, o papagaio ou o rodeio de gado, como podem ser claramente visualizados nos azulejos assinados por ela ou coletivamente.

Neste ínterim, Hilde toma aulas de pintura com Bruno Giorgi, marido de sua colega da Osirarte, Giuliana Giorgi, casa-se novamente com, o também pintor e desenhista, Cláudio Abramo.

No ano de 1950, já separada, muda-se, com seu filho, para o Rio de Janeiro, a convite de Carlos Lacerda, para trabalhar como chargista da recém-fundada Tribuna da Imprensa. Dizia Hilde que, este convite fora o empurrão decisivo para a sua carreira de chargista política, já que desde então passou a desenhar e assinar uma charge diariamente para a primeira página do jornal, até a sua a venda. Em 1960, foi premiada com o prêmio Seção América Latina do Concurso de Caricaturas do World Newspaper Forum, pelas melhores charges internacionais.

Com a já mencionada venda do jornal, em 1962, Hilde volta definitivamente para São Paulo como contratada d’O Estado de São Paulo, para o qual já colaborava desde 1956.

Representante importante do circuito artístico-cultural da capital paulista, tomou parte também, das exposições do Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos em São Paulo, da Exposição de Arte Moderna em Belo Horizonte, do Salão Oficial de Arte Moderna e do Salão Nacional de Arte Moderna no Rio de Janeiro, bem como das quatro primeiras e da sexta Bienal Internacional de São Paulo.

Como chargista, Hilde acompanhou e ilustrou todos os episódios marcantes da história da política brasileira, desde sua chegada ao país, em 1933, até o dia em que se aposentou, somente em 1989. O que já seria motivo suficiente para que fosse para sempre lembrada como referência paras as novas gerações de chargistas e caricaturistas do país; se não fosse também, pela excelente qualidade artística de seus desenhos estilizados, sintéticos e extremamente expressivos, por seu traço ágil, leve e bem humorado ou ainda, por sua versatilidade como artista.

“O desenho a traço, que é o mais puro, é sinônimo de ‘eliminar’: desenhar a traço é dizer tudo com pouco. (...) Desenhar é, para mim, um grande meio de comunicação. (...) É o caminho mais curto entre o artista e o público”.
Hilde Weber.

Ana Claudia Salvato Pelegrini
(bolsista IC / CNPq)
Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)