"Volpi fumava o seu cigarro de palha, Zanini trabalhava sem camisa por causa do calor, e Giuliana e Hilde não se mostravam perturbadas nem com uma coisa, nem com outra, enquanto conversavam com a modelo pelada do Rossi Osir." - depoimento de Gerda Brentani, s/data.

O surgimento desta pequena empresa-ateliê-oficina de azulejos artísticos, criada por Paulo Rossi Osir em 1940, é geralmente associado ao convite que Cândido Portinari fizera ao próprio Rossi, a fim de que este executasse os azulejos destinados ao revestimento da fachada do novo prédio que estava sendo construído para o Ministério da Educação e da Saúde - atual MEC - no rio de Janeiro. Contudo, antes mesmo de concluída a obra, a Osirarte já tornara-se conhecida, por sua iniciativa de reviver a arte da azulejaria, tão importante nas construções arquitetônicas de nosso passado colonial.

Passou a realizar então, tanto encomendas para outros artistas como Burle Marx, Carybé, Poty, e até mesmo para o próprio Portinari, como é o caso da Igreja de São Francisco de Assis na Pampulha, Belo horizonte; como também desenvolveu uma produção própria. Quase sempre pequenas composições decorativas, em uma linguagem pictórica predominantemente relacionada à temática popular e nacionalista. E ainda que se costume atribuir a Rossi a imposição desta temática, a fim de uma maior abertura no mercado internacional, vale lembrar que o gosto por festas populares, lendas indígenas, cenas da periferia urbana ou do cotidiano rural, já fazia parte do universo temático dos pintores-operários do Grupo do Santa Helena. E dos quais, muitos foram convidados por Rossi a trabalhar no ateliê.

Já que a Rossi, o patrão-fundador, competia a direção geral do ateliê. Era ele quem convocava e remunerava os artistas, e promovia tanto a comercialização dos azulejos como as exposições para torná-los conhecidos - artistas e azulejos - do grande público. A Volpi, coube o papel de chefe do ateliê, por ser muito respeitado entre os colegas; e a Zanini, segundo depoimentos posteriores, o reconhecimento como o mais assíduo do grupo, tendo sido o primeiro a ingressar e o último a sair. Com efeito, ao longo de toda sua existência, foram muitos os artistas que trabalharam na Osirarte, seja por um longo período como Hilde Weber, seja em participações temporárias como F. Krajcberg, Giuliana Giordi, Virgínia Artigas ou Gerda Brentani, ou ainda em caráter particular e ocasional como Ernesto de Fiori e Ottone Zorlini.

De todo modo, este pequeno ateliê-oficina, que a princípio recorria a "biscoitos" já industrializados pela Cerâmica Matarazzo, foi, gradativamente, assumindo um caráter mais empresarial, passando até, a produzir inteiramente seus azulejos, mediante a aquisição da técnica e de fornos especializados. Já na década de 50, e mesmo com o afastamento de Rossi e Volpi, o ateliê continuou funcionando. Da mesma forma, que seus azulejos, já integrados ao cotidiano dos lares paulistas, continuaram a servir de revestimento de chafarizes, lareiras, mesas e afins. Já que suas portas só foram definitivamente encerradas, em 1959, quando da morte de seu fundador.


Ana Claudia Salvato Pelegrini
(Bolsista PIBIC/CNPq)
Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)