Paulo Cláudio Rossi Osir
1890 - São Paulo, São Paulo
1959 - São Paulo, São Paulo

Além de pintor, intelectual e incentivador do processo de consolidação da arte moderna no país, Paulo Rossi Osir é, sobretudo, uma espécie de ‘peça-chave’ para uma melhor compreensão deste período; já que concentra em si os elementos que, em um primeiro momento considerados conflitantes e incompatíveis, serviram de subsídio para uma diferenciação, gerada no seio do próprio movimento moderno, entre primeira e segunda geração. Pois sem pertencer exclusivamente a nenhuma delas, acreditou e aconselhou os mais jovens, ao passo em que tentou mostrar à geração de 22 o aristocratismo presente em sua atitude hostil e preconceituosa em relação à origem social e ao pretenso autodidatismo daqueles.

Filho de imigrantes - pai italiano, mãe francesa - radicados em São Paulo, Paulo Cláudio Rossi nasceu no coração da capital paulistana no final do século XIX, na rua Tabatinguera. Mas por ser uma família de classe média, ligada as profissões liberais, é mandado à Europa, ainda com dois anos de idade, a fim de que fosse educado por lá.

Na pintura, iniciou-se, ainda menino, com seu pai, Cláudio Rossi, pintor e arquiteto; como também o foram seu tio e avô paternos. Razão pela qual, aliás, apesar de sua vontade de dedicar-se exclusivamente a pintura, diplomou-se também arquiteto, em 1916, pela Real Academia de Bolonha. De todo modo, ao longo dos anos em que viveu na Europa, Paulo Rossi teve a oportunidade de aprimorar sua técnica. Estudou na Academia de Brera na Itália, aprendeu aquarela, gravação e água-forte na Inglaterra, e frequentou ateliês na capital mundial das artes - Paris, onde entrou em contato com as correntes estético-artísticas que estavam surgindo; bem como, com as obras dos grande mestres do passado.

De volta a São Paulo, no início da década de 20, Paulo Rossi, então um homem culto e com ótima formação acadêmica, realizava, em 1921, sua primeira individual, na qual, já transparecia seu desejo de conciliar as conquistas modernas com a melhor tradição de pintura. Vale lembrar que tal evento é apenas um ano anterior à Semana de Arte Moderna de São Paulo, ‘acontecimento-símbolo’ da idéia modernista. Mas que, no entanto, não logrou em desencadear efetivamente o processo de renovação artístico-cultural no país.

Em novembro de 1932, ao lado de outros intelectuais e artistas preocupados em conferir novo ânimo ao movimento, participa da criação da Sociedade Pró-Arte Moderna de São Paulo. A SPAM, de fundamental, porém breve, existência.
Com a sua dissolução, em 1934, Rossi passa a promover reuniões em seu apartamento da Alameda Barão de Limeira, que congregavam tanto os artistas oriundos das camadas mais altas, como os chamados ‘artistas-proletários’ do Grupo Santa Helena. Como resultado destes encontros, surge a idéia da Família Artística Paulista: um grupo que não fosse excessivamente moderno, nem tampouco acadêmico. A FAP, criada em 1937, por Rossi Osir e Waldemar da Costa, teve como núcleo central justamente aqueles que na época, ou eram considerados acadêmicos pelos modernistas e futuristas pelos acadêmicos, os santelenistas, ou que haviam rompido com o grupo fundador do Salão de Maio, liderado por Flávio de Carvalho. E para o qual, não havia sido convidado nenhum artista da geração mais nova.

Também de breve existência, a FAP dissolve-se logo após sua terceira e última exposição, realizada no Rio de Janeiro, em agosto de 1940. Ano, em que Rossi Osir cria a Osirarte, ateliê-oficina especializado na criação e fabrico de azulejos artísticos. E no qual alguns santelenistas, como Volpi, Zanini, e outros vieram a trabalhar. Após, praticamente, uma década na direção geral da Osirarte, Paulo Rossi afasta-se do ateliê, no início dos 50, e segue em viagem de estudos para a Europa, ao lado de Volpi e Zanini. O ateliê, no entanto, só fecharia suas portas definitivamente em 1959, mesmo ano da morte de seu criador.

Segundo Mário de Andrade, em seu histórico artigo 'Esta Paulista Família', de 1939, graças a influência de Paulo Rossi Osir no meio artístico paulista, sobretudo entre os artistas-artesãos, a preocupação com o aspecto técnico-artesanal da pintura foi devidamente recolocada nas discussões do movimento modernista: como interface necessária à pesquisa estético-formal - e não mais o seu oposto -, fundamental ao pleno desenvolvimento da arte moderna brasileira.

Ana Claudia Salvato Pelegrini
(bolsista IC / CNPq)
Profª Drª Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)