Cândido Portinari
Brodósqui, SP, 1903
Rio de Janeiro, RJ, 1962

Um dos maiores pintores brasileiros do século XX, autor de uma das obras pictóricas mais expressiva sobre o povo e sua condição social, Portinari é o artista brasileiro mais reconhecido no mundo. Durante toda a sua trajetória, trabalhou intensamente e foi sempre fiel ao seu estilo, tendo, no entanto, se aproximado das diversas tendências modernas, do expressionismo ao surrealismo, somadas aos elementos clássicos renascentistas.

Nascido no interior de São Paulo, Portinari presenciou desde cedo o cotidiano humilde e árduo do trabalhador do campo. Começou a pintar aos cinco anos e, ainda na adolescência, ao participar da restauração da igreja local, percebeu sua vocação. Em 1918 dirigiu-se ao Rio de Janeiro, onde com grandes dificuldades financeiras freqüentou a Escola Nacional de Belas Artes. Durante este período, a pintura acadêmica o levou a realizar diversos retratos, um dos quais foi agraciado, em 1928, com o prêmio de viagem ao estrangeiro na Exposição Geral de Belas Artes. Visitando a França, Itália, Inglaterra e Espanha, Portinari passa dois anos apreendendo o que viriam a ser as suas grandes influências, em especial os mestres renascentistas e a Escola de Paris.

Quando do seu retorno ao Brasil sua arte já começa a receber atenção do meio artístico, principalmente por sua participação no Salão Revolucionário de 1931. Fixando-se no Rio, Portinari passa a trabalhar como nunca, misturando em suas obras as influências trazidas da Europa em uma série de retratos, paisagens e naturezas-mortas, que já trazem latente com seu desenho apurado a monumentalidade social que estava prestes a se desdobrar sob influência dos muralistas mexicanos. A necessidade pressentida pelo pintor de uma obra de temática nacional o leva a produzir uma série de obras retratando os trabalhadores rurais, como Café, que em 35 recebe menção honrosa do Instituto Carnegie de Pittsburgh, nos EUA, o que o torna conhecido internacionalmente.

Em 36 realiza seu primeiro mural, para o monumento rodoviário da estrada Rio-São Paulo, hoje Rodovia Presidente Dutra. Em sua volumosa produção de mais de quatro mil obras, Portinari revela seu domínio técnico pictórico, sua preocupação social e o sentimento do local, como da nação brasileira; sua pintura testemunha a abordagem lírica das suas lembranças de Brodósqui, das festas e do cotidiano do povo, como nos quatro painéis para a Biblioteca do Congresso em Washington realizados em 41. A consciência do papel social ganha um aspecto monumental nos murais para o Ministério da Educação do Rio de Janeiro, encomenda de Gustavo Capanema (37/45), e, sob o impacto da 2a. Guerra, o expressionismo invade sua obra na denúncia do sofrimento humano nos murais da igreja projetada de Oscar Niemeyer na Pampulha (45), bem como nas séries dos retirantes.

Na década de 50 a obra de Portinari está madura e mais pungente que nunca; seus murais históricos deste período, despojados da narrativa gratuita são, ao contrário, em tom de denúncia e angústia, sob influência direta de Guernica, de Pablo Picasso - prova maior disso são os dois imensos painéis, Guerra e Paz, que o governo brasileiro ofertou em 56 à sede da ONU, em Nova Iorque, ocasião em que recebeu os prêmios Guggenheim e Hallmark Art, e o mural Tiradentes de 1949. Em 1956 vai a Israel, a convite do governo, viagem que inspira uma belíssima série de conotação lírica, com pinceladas espaçadas e densas que evocam Van Gogh. Sua obra ganha, então, traços mais soltos onde os tons claros e alegres predominam.

Cassandra de Castro Assis Gonçalves
[bolsista]
Profa. Dra. Daisy Peccinini
[orientadora]

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