Ernesto de Fiori
Roma, Itália, 1884
São Paulo, SP, 1945

Com uma obra escultórica singular, que alia os valores clássicos a uma expressão humana da figura, através de uma linguagem muito pessoal, Ernesto de Fiori dominou também com profundo conhecimento a pintura, e podemos dizer que o seu modo de esculpir é pictórico na medida em que segue a tendência expressionista.

Nascido em Roma, aos 19 anos vai para Munique, onde estuda na Academia de Artes com Gabriel von Hackl e Otto Greiner (que francamente o desencorajou). Conhece logo depois a obra de Ferdinand Hodler, que o influencia em um primeiro momento e o incentiva a pintar, até que em 1911 vai a Paris e, ao ver as obras de Renoir e Cézanne, desiste de pintar por se achar incapaz de alcançar tal grau de perfeição. Começa então a modelar, orientado pelo suíço Hermann Haller, se inspirando em Maillol e Degas, mais tarde sendo influenciado também pelo cubismo, sem se submeter aos seus postulados. A partir de 14 reside em Berlim e acaba por se naturalizar alemão, lutando então na Primeira Guerra até 17, quando retorna a Munique. Polemista, De Fiori se envolve em discussões pela imprensa acerca do conceito de arte principalmente com os dadaístas, enquanto sua obra começa a ser cada vez mais valorizada, abandonando a geometrização cubista para se encontrar com seu estilo pessoal, mais preocupado com uma interação física e psíquica das figuras. Na década de 30 já poder ser considerado um escultor famoso na Europa. No entanto, com o acirramento do nazismo na Alemanha, acaba transferindo-se para o Brasil em 1936.

Ao chegar aqui De Fiori retoma a pintura e o desenho, ao mesmo tempo em que continua sua obra escultórica. Em 38, por intermédio de Mário de Andrade, é apresentado ao ministro Gustavo Capanema e ao grupo de arquitetos do edifício do MEC no Rio de Janeiro, que o convida a fazer maquetes de esculturas para integrarem-se ao novo prédio. Apesar de De Fiori ter desenhado uma série para este fim, nenhuma das obras foi aproveitada por terem os responsáveis pelo prédio considerado o resultado insatisfatório para os seus objetivos. Sua retomada da pintura tem claramente a intenção de combater os abstracionistas, que culpava pela alienação do público ante a arte. Seus temas são a figura humana, cenas de batalha e as cenas de regatas - ele era um exímio iatista - interessando-se também pela paisagem urbana de São Paulo. Sua abordagem remete aos pós-impressionistas, mas é na verdade de forte tendência expressionista em especial na relação cromática e no traço solto.

Apesar de sua fama na Europa, pode-se dizer que aqui no Brasil De Fiori não foi recebido com a consideração que era de se esperar por parte dos intelectuais e artistas paulistas, apesar de ter tido contato direto com alguns deles, como Menotti del Picchia e Paulo Rossi Osir, e de ter participado das principais mostras dos anos 30 e 40, como os três Salões de Maio ( 37 a 39 em São Paulo ), do II e III Salões da Família Artística Paulista ( 39 em São Paulo e 40 no Rio ) e do VII Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos, em São Paulo. A influência de sua obra pode ser sentida, no entanto, em muitos artistas brasileiros, seja direta ou indiretamente. Alfredo Volpi, Bruno Giorgi e Joaquim Figueira, que desenhavam com modelo vivo junto com De Fiori, no ateliê de Giorgi, por volta de 42, são alguns exemplos, além de Gerda Brentani, que foi sua aluna por três anos; no entanto, quem mais sentiu a influência de sua obra foi Mário Zanini.

Cassandra de Castro Assis Gonçalves
[bolsista]
Profa. Daisy Peccinini
[orientadora]

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