Joaquim Lopes Figueira Jr.
São Paulo, SP, 1904
Ribeirão Preto, SP, 1943

Um talentoso escultor que a morte precoce impediu que desenvolvesse plenamente sua arte, Joaquim Figueira, artista próximo ao círculo do Santa Helena e participante da Família Artística Paulista, teve uma atuação reveladora das características da modernidade dos anos 30 e 40.

Nascido em São Paulo, Joaquim Figueira criou-se no ambiente próprio das vilas operárias da cidade que crescia e se industrializava. Presenciava o cotidiano das fábricas e dos operários, embora a renda de sua família viesse de um pequeno comércio de Secos e Molhados no Bom Retiro.

Partilhava com outros jovens humildes o interesse pelo futebol, um esporte de elite que passava naquele momento a ser o esporte, das multidões. Esta paixão tinha o apoio de jogadores do Corinthians como o tio Neco e o amigo do Santa Helena, Francisco Rebolo Gonsales. A ligação de Figueira com os artistas do Santa Helena influenciou sua pintura no tocante aos temas referentes ao enfoque social de sua obra, que representa paisagens de bairros periféricos e cenas da gente simples passadas em Casa Verde, Freguesia do Ó e Bairro do Limão.

Joaquim Figueira desenvolveu seu talento na arte escultórica freqüentando o Liceu de Artes e Ofício. As aulas com o escultor italiano Nicolla Rollo, também foram fundamentais para sua formação, mas o aprendizado transcorreu com dificuldades e atritos entre mestre e discípulo, ambos dotados de uma natureza temperamental. Com o rompimento, Figueira criou seu próprio ateliê, desenvolvendo seu trabalho para realização de esculturas em bronze. Dado ao alto investimento financeiro necessário, dificilmente conseguiu fazer fundir suas esculturas, que permaneceram, na maioria das vezes, como matrizes em gesso.

Como todo o escultor que faz pintura, como segunda opção, suas telas revelam uma composição sintética e bem estruturada, com influências de Cézanne, conjugadas com uma tensão expressionista. Nelas se revelam o freqüentador do grupo Santa Helena, no tocante à obra de Cézanne e a intimidade com Flávio de Carvalho, em relação aos impulsos expressionistas.

Embora não tenha atingido os 40 anos, vítima de uma tuberculose, Joaquim Figueira obteve certo reconhecimento em seu tempo, participando de mostras que divulgaram o seu trabalho. Esteve presente nas três mostras da Família Artística Paulista (1937, 1939, 1940), no III Salão de Maio (1939) e no I Salão de Arte da Feira Nacional das Industrias (1941). Foi premiado no Salão Paulista de Belas Artes e no Salão Nacional de Belas Artes de 1941.

Nas palavras do crítico de arte Mario Schenberg, Figueira conseguiu um impressionante domínio dos recursos técnicos do desenho, da anatomia do claro-escuro e da representação escultural. Em fase posterior, a insatisfação do artista levou-o ao caminho da cor e da linha livre, já trilhado anteriormente pelos inovadores da arte moderna. A obra de Joaquim Figueira é muitas vezes caracterizada como pertencente a um modernismo contido ou discreto, o que a afasta tanto de vanguardas como das regras acadêmicas, característico do momento da modernidade em São Paulo.


Carolina Amaral de Aguiar
[bolsista]
Profa. Dra. Daisy Peccinini
[orientadora]

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