Armando Balloni
Bolonha, Itália, 1901
São Paulo, 1969


Participante dos principais eventos da modernidade paulistana, o artista italiano desempenha um importante papel na consolidação da modernismo brasileiro, durante os anos 30 e 40. Integrando a Família Artística Paulista e ligado aos artistas do Grupo Santa Helena, pinta paisagens, vistas urbanas, naturezas-mortas e figuras, sempre fiel ao estilo pós-impressionista. Diante de constantes transformações, no qual a cidade de São Paulo materializa a mudança na relação do homem com o ambiente a sua volta, o olhar de Balloni lamenta, melancolicamente, o mundo que se perde a cada dia.

Embora não seja conhecida sua formação, sabe-se começa a estudar arte ainda na Itália. Fixa residência em São Paulo, cidade que passará a maior parte de sua vida, em 1926. A partir de então, adota o cenário paulistano, atuando nos eventos mais marcantes do período. Na década de 30, começa a expor no Salão Paulista de Belas Artes, ganhando Menção Honrosa em 1935 e, já em 1943, o prêmio da medalha de Bronze. Participa da primeira mostra da Família Artística Paulista, em 1937, ao lado dos integrantes do Grupo Santa Helena, com os quais convive, freqüentando o Palacete e os acompanhando ao subúrbio paulistano nos dias de domingos. Ganha destaque também ao adquirir a Medalha de Prata no Salão Nacional de Belas Artes e ao expor nas duas primeiras edições da Bienal de São Paulo (1951 e 1953).

Em suas obras, a profundidade dos tons, especialmente os terrosos, colabora para o caráter melancólico. Mesmo nas cenas urbanas, o espectador se remete aos ambientes interioranos e pacatos. Por isso, os títulos escolhidos por Balloni não costumam corresponder as cenas retratadas, como ocorre na pintura “Rua Antiga”, um retrato da Rua dos Passos, no Rio de Janeiro. As mesmas cores estão presentes em suas naturezas-mortas, com clara influência de Cézanne nas formas pós-impressionistas. Nos anos anteriores a sua morte, inova trocando a pintura a óleo pela eucástica, técnica medieval na qual as tintas são dissolvidas em cera quente.

Outras atividades desenvolvidas pelo artista, além da pintura, são a decoração, cuja obra mais significativa é um painel no teto do Teatro da Paz, em Belém do Pará, e algumas caricaturas esporádicas para jornais. Italiano de nascimento, vive nos cenários brasileiros, principalmente os paulistas, que registra com seus pincéis. Morre, em 1969, deixando esposa e filho, família constituída no Brasil.

Carolina Amaral de Aguiar
[bolsista]
Profa. Daisy Peccinini
[orientadora]