Hugo Adami
São Paulo, SP - 1899
São Paulo, SP - 1999

Hugo Adami esteve presente e atuante em muitas das manifestaçoes de renovação das artes durante as décadas de 30 e 40, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, apesar de não ser tão reconhecido como muitos amigos seus da época, como Anita Malfatti, Lasar Segall, Victorio Gobbis e Cândido Portinari.

Começou a estudar pintura em 1911, com o italiano Barchitta na Escola Profissional do Brás, e logo depois foi aluno do pintor Norfini no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Em 1916 uma natureza morta de sua autoria chama a atenção pela originalidade no tratamento e pela idade do pintor. Aos 18 anos vai morar no Rio, onde se envolve com o teatro, tomando parte na companhia de teatro de Leopoldo Fróes durante dois anos, sem no entanto deixar de pintar suas paisagens, que apresenta pela primeira vez no Salão Nacional de Belas Artes de 1921. Neste ano retorna a São Paulo e em 22 participa ativamente, ainda que sem expor nenhuma obra, da Semana de Arte Moderna; logo depois realiza um retrato de Mário de Andrade que integrou a coleção do intelectual paulista e agora faz parte do acervo do IEB da USP. Faz no mesmo ano sua primeira viagem a Europa, onde se fixa em Florença e imediatamente toma contato com os núcleos renovadores das artes plásticas italianas, sofrendo grande influência da obra metafísica de Giogio De Chirico. Neste período se envolve com o Novecentto Italiano, expondo com mais 110 artistas, entre eles Sironi, Funi, Marussig e Tosi em 1926, em Milão. No mesmo ano viaja a Paris, onde visita uma grande exposição de Paul Cézanne, outra grande referência em especial para suas paisagens.

Em 28, já de volta a São Paulo, realiza duas individuais, a primeira na Galeria Arcadas e a segunda na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio. No fim do ano embarca novamente para a Europa e participa da Bienal de Veneza, onde voltaria a expor em 1930. Voltou ao Brasil no ano seguinte e participou da fundação da Sociedade Pró Arte Moderna, tomando parte da primeira mostra da SPAM, em 33. Também foi membro do Clube dos Artistas Modernos (CAM), de Flávio de Carvalho, e atuou como ator no Bailado do Deus Morto.

Durante a década de 30 participou de diversas exposições coletivas importantes, como os Salões Paulistas de Belas Artes, os Salões de Maio e a primeira mostra da Família Artística Paulista. Em 40 vai morar no Rio, onde se torna amigo de Portinari e Teruz, produzindo algumas obras de temática social.

Entre 45 e 70 Hugo Adami se afasta do meio artístico, e só volta a expor em 72, apresentando obras tão figurativas quanto aquelas dos anos 30. Entre as exposições mais importantes deste retorno estão Do Modernismo a Bienal, em 82 e a retrospectiva de sua obra, em 86, ambas no MAM de São Paulo.

Como muitos outros artistas da época, Hugo Adami possuía um profundo domínio da técnica, fruto de muito estudo e empenho. Sua obra é marcada pelo naturalismo em uma abordagem que esbarra na metafísica de De Chirico; sua preocupação é unicamente plástica, fugindo do expressionismo que os artistas brasileiros seguiam na década de 30. As naturezas mortas são opulentas e monumentalizadas, tratando o objeto de forma tão plástica e absoluta que levou Mário de Andrade a afirmar que Hugo ‘assassinou a natureza’. Suas paisagens já não revelam originalidade e apuro tão intensos, mas deixam claras as influências de Cézanne em especial com respeito aos tons e pinceladas.

Cassandra de Castro Assis Gonçalves
[bolsista]
Profa. Dra. Daisy Peccinini
[orientadora]

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