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Auto-Retrato, 1943


Carlos Prado

São Paulo, SP, 1908
São Paulo, SP, 1992

Importante nome da segunda geração do modernismo paulista, Carlos da Silva Prado, ao se referir certa vez sobre seus trabalhos, disse : “são experiências íntimas entre mim mesmo e o universo, interpretá-lo talvez”. Apesar de pertencer à aristocracia (era neto de Paulo Prado), desenvolveu sua arte voltada para o social e popular. Não dependia de sua pintura para sobreviver, e paralelamente, durante sua vida, foi nutrindo um forte desprezo pelos determinismos do mercado das artes. Conservou-se figurativista até sua morte.

Após concluir o curso de engenharia e arquitetura viajou para a Europa a fim de se aperfeiçoar em urbanismo. Ao retornar ao Brasil, no início da década de 30, chegou a exercer a profissão, mas logo se interessou pela pintura, sendo incentivado por Quirino da Silva. Instalou ateliê com Flávio de Carvalho, Antônio Gomide e Di Cavalcanti, na R. Pedro Lessa n º 2. Ali fundaram o Clube do Artistas Modernos, um clube irreverente aderido ao marxismo e dedicado às manifestações de vanguarda, provocativas e de conotação política e psicológica. A obra Violeiros é deste período, e resguarda afinidades estéticas e temáticas com seus amigos, embora o objetivo do ateliê não fosse codificar uma linguagem específica.

Nestes tempos, como tantos outros artistas também fascinado pelo muralismo mexicano, realizou uma obra diversificada, entre cenas urbanas, retratos, paisagens e naturezas mortas. Apesar das incursões muitas vezes bem sucedidas, de um vigor expressionista com a tinta a óleo, preferia a técnica do lápis e do nanquim. Entre desenhos, pinturas e gravuras, sempre que possível acentuava as temáticas sociais, populares e os componentes surrealizantes.

Expôs pela primeira vez em 1935 no tradicional Salão Paulista de Belas Artes, recebendo menção honrosa. Três anos depois expunha no revolucionário 2 º Salão de Maio. Realiza mostra individual em 1943 em São Paulo, e em 1947 em Nova York. Participa de algumas Bienais e de outros Salões Paulistas. Seu realismo social, confundido outrora como academicismo, na verdade sempre foi engajado e impregnado numa atmosfera melancólica, ora de denúncia, ora de lirismo. Sua postura intelectual, seu pensamento em relação ao universo artístico, refutam quaisquer críticas naquele sentido (de ser acadêmico). Renegava as deificações de artistas, de obras, renegava as posturas “entendidas em arte”. Fazia a arte como queria, como sentia e não de acordo com as tendências. Em 1980 expõe 40 desenhos no Estúdio José Duarte de Aguiar e no catálogo da mostra explicita suas idéias.

Mesmo permanecendo retirado numa fazenda em Bragança Paulista, o artista sairia de seu reduto para uma última exposição individual na Galeria Arco, em São Paulo em 1983. Nestas obras mais recentes, predomina a técnica da sobreposição de imagens, numa atmosfera de simbolismo metafísico, reafirmando a tendência surrealista.

Priscila Gomes Correa (bolsista COSEAS) e
Vanessa S. Machado (bolsista IC / FAPESP)

Profa. Dra. Daisy Peccinini
(responsável pelo projeto)



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