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Auto-Retrato, 1943, óleo sobre tela, 33.5x26.0 cm, Coleção Particular. In: MARTINS, Luís. Op. Cit.

Foto de Di Cavalcanti. In: MARTINS, Luís. Emiliano Di Cavalcanti. São Paulo: Museu de Arte Moderna, 1976.

Di Cavalcanti

Rio de Janeiro, RJ, 1897
Rio de Janeiro, RJ, 1976

"Era uma profunda e doida vida de artista a minha vida naqueles anos que precederam a Revolução de 30. Vida de artista possuído de uma grande inquietação humana dos problemas sociais."
Di Cavalcanti, 1971

Após ter permanecido por dois anos em Paris, onde entrou em contato com os principais vanguardistas europeus e com a efervescência política do momento, retornou ao Brasil em 1925, marcado definitivamente por uma temática voltada ao social.

O ano de 1928 foi um marco; foi onde Di "oficializou" a tendência afetiva que o inclinava às questões sociais:
"Abri o portão de uma velha casa de cômodos... Ali morava preto Salvador. Tinha ido à Rússia. Éramos umas quinze pessoas ouvindo: operários gráficos, carpinteiros, duas mulheres... E foi naquela noite que assinei meu nome no Partido Comunista". Di Cavalcanti.

Durante a década de 30 a obra de Di, por um lado se dedica à denúncia do Brasil da corrupção e da desordem política, e por outro, ao cortejamento dos aspectos sociais do país. A primeira vertente está representada essencialmente em seus desenhos, e a segunda, em suas pinturas.

Em 1931, participou do Salão Revolucionário da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde foram expostas obras tanto de acadêmicos como modernos. Em 1932, ao lado de Flávio de Carvalho, Antônio Gomide e Carlos Prado fundou o Clube dos Artistas Modernos, associação positivamente comprometida com as questões tangente ao homem, à arte e à sociedade. Em 1933 participa da 2 ª Exposição de Arte Moderna da SPAM. Entre 1935 e 1940 morou na Europa com sua então companheira Noêmia Mourão. Apesar da ausência no país, seu trabalho figurou no 2 º (1938) e 3 º Salão de Maio (1939).

Houve quem denunciasse o conteúdo social de suas pinturas como estático e a-político, o que de fato constitui uma grande injustiça, uma crítica que perpassa o viés anacrônico e não consegue reconhecer em Di, o que Mário Pedrosa muito bem identificou: "Sendo o mais brasileiro dos artistas, foi o primeiro a sentir que entre o interior, a roça, o sertão e a avenida, o "centro civilizado" havia uma zona de mediação -o subúrbio. No subúrbio vive o verdadeiro autóctone da grande cidade. Já não é caipira mas ainda não é cosmopolita. O que já se passa é autêntico, de origem e de sensibilidade..." Além deste conteúdo pioneiro nas artes plásticas, ainda reside em Di o lirismo de representar as classes populares através de sua dignidade e beleza e não de sua miséria.

Em 1951 participa como artista convidado da primeira Bienal de São Paulo. Participa de outras bienais, inclusive estrangeiras, ganhando medalha de ouro em 1960 na II Bienal Interamericana do México. Nesta década, Di se proclama um defensor fervoroso da figuração, tecendo críticas ferozes aos abstracionismos.

Deixou um legado, que é lírico e crítico, nas técnicas distintas. Escrevera certa vez: "Fui de esquerda, mas meu marxismo era mais um sentimento humano e emotivo do que partidário". Mas certo é que esse engajamento, ainda que no plano da idealidade, refletiu-se com riqueza no seu trabalho.

Vanessa S. Machado
(bolsista IC / FAPESP)
Profa. Dra. Daisy Peccinini
(coordenadora do projeto)

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