Durante os anos 40 Pancetti teve que conviver com os sintomas da tuberculose. Isso o fez converter o prêmio viagem ao exterior que ganhara na Divisão Moderna do Salão de Belas Artes de 1941, em viagens pelo interior do país, em busca de lugares com climas mais amenos, próprios para sua saúde. Assim sendo, os primeiros anos da década de 40, o pintor passou em Campos do Jordão (SP) e São João Del Rei (MG). Esta última cidade foi inspiração desta tela.

A demarcação do espaço se dá pela arquitetura, numa diagonal que parte do canto esquerdo inferior para o canto superior direito. O referencial humano -o indivíduo no canto direito da tela, é bem diminuído em relação ao espaço da composição. Como em quase toda sua obra paisagística, as formas são elaboradas numa simplificação de detalhes, numa visão sintética do cosmos. Tudo desvelado por uma densa plasticidade das matérias cromáticas. A proximidade com o real é garantida pela verossimilhança das colorações utilizadas.


Vanessa Machado (bolsista IC-FAPESP)
Profa. Dra. Daisy V. M. Peccinini (coordenadora do projeto)