1887, Vitebsk, Rússia
1985, Saint-Paul-de-Vence, França

Nos 97 anos de sua vida produtiva, Marc Chagall testemunhou um século tumultuado: a revolução bolchevique, duas guerras mundiais e o nascimento da era nuclear. Ainda assim, optou por não fazer uma arte de cataclismos. Suas pinturas luminosas como imagens de vitrais animam-se de cores brilhantes. Seus anjos e acrobatas lançam-se com exuberância, graça e harmonia. Mesmo as imagens que mostram as atrocidades da guerra foram equilibradas por símbolos de esperança.

De origem judaica e modesta, iniciou-se na pintura em sua pequena cidade, dando continuidade em São Petesburgo; prosseguindo-os em Paris, onde viveu de 1910 a 1914. Ao chegar à França, Chagall impressionou-se com a luz e a iridescência das cores, completamente diferentes da escuridão e dos cinzas da Rússia, acreditando ter descoberto um universo novo, que influenciaria profundamente sua arte. Nesse período, vivendo em um pardieiro, "La Ruche", a colméia. Assim chamado pela forma arredondada de sua construção e pelo grande número de pequenos ateliers ocupados por artistas pobres. Era o ponto de referência de várias manifestações artísticas da época, onde Chagall conheceu Amedeo Modigliani, Fernand Léger, Albert Gleizes, Delaunay, entre outros. Estes contatos enriqueceram sua arte. Conheceu ainda os poetas Apollinaire, Guillaume, Souttine, Max Jacob, Blaise Cendrars. Este último selecinou vários de seus trabalhos para uma exposição individual na Galeria Der Sturm. Influenciado tanto pelo Fauvismo quanto pelo Cubismo, Chagall desenvolveu um estilo pessoal em que a imaginação dá autonomia aos objetos e personagens da realidade, libertos da lei da gravidade e do tempo-passado. Suas telas são evocações de lembranças de sua terra natal, personagens familiares. 

Neste momento ele surge como precursor do Surrealismo, a cuja adesão ele sempre se negou; quando uma década depois convidado por Breton.
Com a eclosão da I Guerra, foi nomeado Comissário das Artes de Vitebsk, lá permanecendo até 1922, quando decide voltar a França e começa a fazer ilustrações como as fábulas de La Fontaine e Almas Mortas de Gogol. Na pintura amplia a gradação das cores buscando sutileza e luz, descobrindo o sol e as flores do sul da França. No começo dos anos 30 visita a Palestina e a Síria, descobrindo paisagens da Bíblia cuja ilustração ele vai fazer. 

No centro da arte de Chagall, está sua crença na unidade da experiência humana - que a cultura do passado liga-se ao presente e que as diversas tradições das várias culturas universais podem encontrar nela um solo comum. Em suas pinturas, retratou sempre camponeses, aldeões, amantes, animais e o mundo do circo, lembrando sua Vitebsk natal; as fábulas e as narrativas bíblicas; os ícones ortodoxos russos, como o cotidiano judeu. 

A partir da segunda metade dos anos 30 sua obra ganha um forte teor dramático, abordando temas de anti-semitismo e guerra, além de temas religiosos como crucificações. 
Em 1941 refugia-se nos EUA, continuando dentro do clima dramático imposto pela guerra. Retorna definitivamente à França em 1947, instalando-se no sul do país, onde fica até sua morte. 

Nos anos 50 fez viagens à Grécia para pesquisar o mundo grego antigo de onde tira inspiração para suas ilustrações de Dafnis e Cloé; cria ainda, vários vitrais para igrejas francesas e para uma sinagoga em Jerusalem. Na sequência realiza importantes exposições em Nova Iorque e Paris nos anos 60.

Na década de 70 acentua-se na obra de Chagall o judaísmo hassídico com sua crença no amor de Deus em todas as coisas, com reiteradas referências aos temas bíblicos.

Chagall ocupa uma posição na arte contemporânea, por seu seu longo percurso artístico perpassar as vanguardas européis e trancende-las, sua arte atinge a universalidade e a liberdade da condição humana. 

Namorou o Cubismo, no que diz respeito à geometrização das formas; antes dele os impressionistas (sendo nítida a influência de Van Gogh, em seus primeiros trabalhos) e os fauvistas, herdando suas cores alegres; atraiu a atenção dos surrealistas, sendo convidado por Breton a tomar parte no movimento, embora se recusasse a participar dele, repudiando expressamente a doutrina surrealista do automatismo do imaginário subconsciente na expressão pictórica. 

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