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NATUREZA-MORTA, 1935-45
ÓLEO S/ TELA
45.8 x 55.2 cm
DOAÇÃO YOLANDA PENTEADO E FRANCISCO
MATARAZZO SOBRINHO

Apesar de não ser do período do Fauvismo (1905 - 1907), a obra entranha a atmosfera fauvista, como acontece com toda a sua produção e o mesmo com Henri Matisse. O ponto de partida, por assim dizer, desse quadro é a cor - o azul intenso e que é profundo pela atuação do negro, que aqui remete ao Mar Mediterrâneo, ao elemento água, de onde tudo se origina - inclusive, preenchida por seus elementos naturais, representados por conchas, peixes minúsculos. Sua pintura nasce de pinceladas rápidas, a se constituírem e a construírem uma superfície plana, porém dinâmica, em que há ritmo e movimento. Nela, o azul envolve o preto e vice-versa, e a tensão entre o desenho e a cor é abolida: um incorpora e torna-se o outro, mantendo, no entanto, sua individualidade. Os elementos assim tão integrados, e também independentes, acabam por conferir vida a essa natureza-morta.
RAOUL DUFY