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SANTA DA LUZ INTERIOR, 1921
LITOGRAFIA S/ PAPEL;
38.9 x 26.7 cm
DOAÇÃO MAMSP 
Ainda da fase de maior leveza, essa obra do acervo não pertence, no entanto, ao período em que esteve ligado ao
O Cavaleiro Azul/Blaue Reiter; também não se insere na sua fase mais sombria, no final da vida; do Expressionismo traz os ângulos em que se fecham as linhas, a influência das máscaras africanas e dos mosaicos bizantinos que o encantaram em sua viagem à Itália. Santa da Luz Interior foi composta na época em que lecionou na Bauhaus. Nesta gravura as linhas orientam o olhar do observador e, por meio delas, os contornos, a luz, as sombras e a cor se estabelecem. Klee define a figura mística à meio corpo em linhas finas, em traços essenciais, quase um desenho infantil. Nesse sentido, a linha é o elemento fundamental no processo de construção da imagem - lição que se tira das aulas na Bauhaus: ela intervém no espaço pictórico, criando o amarelo claro do fundo; da interseção entre ambos nasce a figura de uma mulher, cuja cabeça está envolta por um círculo, a auréola que deixa de pairar sobre ela para envolvê-la e a luz que passa do corpo para o exterior. As linhas e a cor expandem-se, ultrapassam seus limites para se fundirem, compondo-se num mosaico para daí sugerir o tema. Criar imagens assim era ser mais fiel à natureza interior que tentar copiá-la; da realidade sensível.
Para ele, a natureza cria através do artista.
Uma cópia desta litografia foi posteriormente submetida a um julgamento político, junto a outras dezesseis obras de Klee, que participaram da exposição Arte Degenerada de 1937, promovida pelos nazistas.
PAUL KLEE