DESENVOLVIMENTO DE UMA GARRAFA NO ESPAÇO, 1912
BRONZE; 39.5 x 39.5 x 32.8 cm
DOAÇÃO MASP
Considerada, junto a Formas Únicas da Continuidade no Espaço, como a melhor resolução de suas teorias, esta pequena peça estrutura-se em torno da forma de um cilindro. O artista aplicou o princípio da decomposição, mas não direcionada por um processo analítico desaglutinador; ao contrário, articula os fragmentos da forma da garrafa, segundo as linhas-força que inventara, fundindo-os numa síntese. 
Recusa estabelecer relações ortogonais, principalmente no tocante ao uso de linhas horizontais; assim, através desse propósito imprime um movimento espiralado, ascensional energético, que disciplina a abertura da matéria, nela introduzindo o espaço, estabelecendo em relação diagonal, uma integração ou síntese de tempo, espaço e forma.
 

FORMAS ÚNICAS DA CONTINUIDADE NO ESPAÇO, 1913
BRONZE; 116.0 x 85.0 x 38.0 cm
DOAÇÃO MASP
O movimento dinâmico de um corpo humano no espaço é estudado por Boccioni de forma intensiva. Fez quatro figuras em gesso, das quais apenas uma se conserva na coleção do MAC-USP. Trata-se da operação mais radical dos princípios do artista, envolvendo todos os aspectos da forma dinâmica: ação que trabalha a matéria, marcando o impacto como espaço, e em rebordos da matéria, sinuosos, côncavos e convexos, alterando as massas frontalizadas da cabeça - uma interpenetração mútua da matéria e do espaço que faz a massa escultórica fremir nas superfícies. 
Impregnada de movimento, tanto relativo como absoluto, a figura avança determinada no espaço do espectador. O artista conseguiu materializar o movimento aglutinado à forma que, sendo no espaço, é também um devir a ser continuum.

 
UMBERTO BOCCIONI