NATUREZA-MORTA, 1911
ÓLEO S/ TELA; 54.1 x 65.2 cm
DOAÇÃO YOLANDA PENTEADO E FRANCISCO MATARAZZO SOBRINHO
A Natureza Morta de Braque não se compõe apenas de vegetais, objetos ou animais, como comumente ocorre com as naturezas-mortas. Com características do Cubismo Sintético, a pintura insere-se na linguagem inicial dos pappiers collés. Ao pintar letras que depois serão coladas, que remetem a caracteres jornalísticos, junto a elementos naturais tradicionais, sua natureza morta ganha um outro, comum ao cotidiano do homem moderno: o jornal - que traz, na velocidade da era industrial, os últimos acontecimentos. Por outro lado, não deixa de conter em si o orgânico - a celulose -, que faz com que se incorpore ao quadro sem entrar em conflito com os outros itens, mas como um dado novo que a eles se soma. O preto, o acinzentado, os marrons, ocres, os tons amarelados remetem, desse modo, à terra: o vaso provém da cerâmica - o barro -, assim como o papel da madeira - a árvore - e, assim, os frutos e folhas. Todos se mesclam: as linhas se interseccionam levando à fusão dos elementos. O que se vê são dados, sugestões do que eles são. Ao se fundirem, confundem-se, lembrando sua mesma origem. São corpos independentes que, em sua coesão, revelam-se como sendo um só. E por serem independentes, ao mesmo tempo em que se interseccionam, esses elementos aparecem como fragmento, recorte do real, peças de um mosaico no qual o que se vê são também sugestões do que são, agora sob uma outra óptica.
 
Georges Braque