Obra em contexto
IRAN DO ESPÍRITO SANTO


Sem Título, 1985
esmalte sintético s/ lona
129.0 x 222.0 cm

SOFÁ. Qual a posição da obra de arte? Combinando com os móveis, ou será que estes devem combinar com aquela? Se a arte se define pela relação com outros elementos, teria então uma natureza mutante, dependendo do ambiente ocupado (casa, museu, livro)?

O lugar do objeto de arte tem ocupado Iran do Espírito Santo desde o tempo de estudante de artes, na década de 80. Na época, a pintura vivia uma fase de sucesso no Brasil e no mundo. O artista de Mococa, desconfiando do caráter efêmero da moda, pintou esta lona com a forma de sofá. "A pintura é uma coisa fácil de ser comprada", dizia Iran aos 23 anos. "Por pior que ela seja, sempre combina com um sofá ou alguma coisa da casa. É um quadro, uma coisa que você pendura na parede. Uma mercadoria".

Sedimentar Módulo III, 1998
esmalte sintético s/ MDF, 80 x 70 x 73 cm
cortesia Galeria Fortes-Vilaça
foto: Everton Ballardin

Uma década depois, a desconfiança sobre o caráter mercadológico da arte continua a ocupar o artista. Mas, nos anos 90, a moda é o objeto. Assim, o sofá dos tempos de estudante é revestido da visualidade do momento: linhas de design, brancura e limpeza. Novamente a obra produzida pode se confundir com a decoração da casa dos colecionadores, combinando com as demais peças de forma harmoniosa.

A arte não existe por si. A cada volta da história, devem ser repensadas as condições em que um objeto é considerado como tal pelas autoridades: artistas, museus, mercado etc.. Se você não se posicionar como público, será mais um a aceitar o que a moda chama de arte.

Felipe Chaimovich


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