A França no MAC

Galeria de Arte Denise René

As 13 obras que aqui se apresentam testemunham a intensa atividade da galerista parisiense Denise René. Na liberação de Paris, no fim da II Guerra Mundial, Denise René abre as portas de sua galeria para dar visibilidade às tendências da abstração na França, além de render homenagem aos mestres da Escola de Paris no entre-guerras. É justamente na relação com artistas como Max Ernst e Francis Picabia, que vivenciam o ambiente da Escola de Paris e, com artistas mais jovens do pós-guerra, que ela constrói um espaço para propor uma interpretação do fenômeno da abstração naqueles anos.

Jean Arp, Cícero Dias, Alberto Magnelli, Hans Hartung, Pierre Soulages, Serge Poliakoff, Francis Picabia e Victor Vasarely são artistas cujas carreiras perpassam sua representação por Denise René. Uma das questões fundamentais que constituem o diferencial das atividades da galeria nos anos 1950 e 1960 é o fato de Denise René buscar sempre colocar a produção francesa em relação às tendências internacionais, privilegiando artistas de raiz construtivista – e países da então cortina de ferro, como a Polônia -, bem como construir a ponte entre a produção latino-americana e a produção européia.

Além de propulsora das tendências abstratas daqueles anos, Denise René também articula o grupo de cinéticos à sua volta. Com a exposição Le mouvement [O movimento], organizada em 1955, a galerista torna-se uma referência na evolução do cinetismo, ampliando o espaço para artistas latino-americanos como Julio Le Parc e Rafael Jesus Soto, ao lado de Vasarely, entre outros.

Ana Magalhães


<< voltar