a

Solo

artes de viver só, juntos

arts of living alone, together


Lista de verbetes

Entry list

Beligerant Solitude: An Artist Who Reproduced His Lover — and Himself

Giuseppe Ricupero

What do we design in order to not be alone or single? What do we design when we are alone? In 1918, returning from World War I and from the rupture with Alma Mahler, Oskar Kokoschka commissions from the Munich craftswoman Hermine Moos a life-size doll bearing her likeness. What begins as substitution quickly becomes something else: a slow construction of an environment made of letters, drawings, photographs, gestures, and domestic staging. The doll does not stand alone. It activates a field of relations—between rooms, bodies, and projections—where absence is not resolved but arranged, repeated, performed. The house becomes a device, and everyday life a choreography of presence and void. This episode displaces the figure of the solitary artist, suggesting instead a distributed authorship, where making is shared across human and material agencies. The doll moves across thresholds: object and companion, image and ritual surface, fiction and lived proximity. Within this unstable system, design appears as a practice of holding what is missing. Solitude is no longer a condition of withdrawal, but a space that can be constructed—inhabited through forms that sustain, distort, and return the self.

[Print reproductions]

Die Puppe, sitzend (1919. Source: The Oskar Kokoschka Centre, University of Applied Arts Vienna, Inv. No. 16.627/F.

Oskar Kokoschka’s letters to Hermine Moos.



Solidão beligerante: um artista que reproduziu sua amante — e a si mesmo

Giuseppe Ricupero

O que projetamos para não ficarmos sozinhos ou solteiros? O que projetamos quando estamos sozinhos? Em 1918, ao retornar da Primeira Guerra Mundial e da separação de Alma Mahler, Oskar Kokoschka encomendou à artesã de Munique Hermine Moos uma boneca em tamanho real à sua imagem. O que começou como substituição, rapidamente se transformou em outra coisa: a construção lenta de um ambiente feito de cartas, desenhos, fotografias, gestos e encenações domésticas. A boneca Alma não existia isoladamente, mas ativava um campo de relações — entre cômodos, corpos e projeções — no qual a ausência não era resolvida, mas organizada, repetida e performada. A casa de Oskar torna-se um dispositivo, e a vida cotidiana, uma coreografia de presença e vazio. Esse episódio desloca a figura do artista solitário, sugerindo uma autoria distribuída, em que o fazer é partilhado entre agentes humanos e materiais. A boneca atravessa limiares: objeto e companheira, imagem e superfície ritual, ficção e proximidade vivida. Nesse sistema instável, o design surge como modo de sustentar aquilo que falta. A solidão deixa de ser retraimento e passa a ser espaço construído — habitado por formas que sustentam, distorcem e devolvem o próprio eu.

[Reproduções impressas]

Die Puppe, sitzend, 1919. Fonte: Centro Oskar Kokoschka, Universidade de Artes Aplicadas de Viena, nº de inventário 16.627/F.

Cartas de Oskar Kokoschka para Hermine Moos.