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Solo

artes de viver só, juntos

arts of living alone, together


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Every Man for Himself

Christina Nagel

Rising above the city of Potosí, the mountain Cerro Rico has shaped life for more than four centuries. One of the world’s richest silver mines, the mountain generated immense wealth that helped sustain empires and connected Bolivia to a global economy. Yet Cerro Rico is more than a mine. It is also a form of architecture, an underground world built over generations as Indigenous miners carved tunnels, chambers, and passageways deep within the mountain. Life inside is shaped by a powerful condition: “Every man for himself”. Survival depends on individual decisions made in darkness, uncertainty, and danger. Each person follows a different vein through the mountain, navigating unstable ground, toxic dust, and the constant threat of collapse. Deep within the tunnels lives El Tío, the guardian spirit of the mine. Miners must leave offerings of coca leaves, alcohol, and cigarettes to ask for protection and good fortune. These rituals reveal a world where labor, architecture, and belief are inseparable. Cerro Rico is not only a source of mineral wealth but a living landscape whose underground architecture continues to shape life, survival, and cosmology beneath the earth. This is a form of singularity, not in the common sense of independence, personal choice, or freedom. Here, singularity is a necessity shaped by the environment itself. The idea of “every man for himself” does not describe mere isolation. It defines a way of being in space.

[Print reproduction]

Juan Pablo Bassi, El Tio, 2019. Atlas Obscura (online publication)



Cada um por si: o minerador nos veios do Cerro Rico

Christina Nagel

Elevando-se acima da cidade de Potosí, o Cerro Rico molda a vida local há mais de quatro séculos. Uma das minas de prata mais ricas do mundo, gerou imensa riqueza, sustentou impérios e conectou a Bolívia à economia global. No entanto, é mais que uma mina: é também uma arquitetura, mundo subterrâneo construído ao longo de gerações, com túneis, câmaras e passagens escavadas por mineradores indígenas. Nele, a vida é regida por uma condição extrema: cada um por si, a sobrevivência dependendo de decisões individuais tomadas na escuridão e no perigo. Cada indivíduo segue um veio distinto na montanha, atravessando solo instável, poeira tóxica e risco constante de desabamento. Nas profundezas habita El Tío, espírito guardião da mina, a quem se oferecem coca, álcool e cigarros em busca de sorte e proteção. Esses rituais revelam o vínculo entre trabalho, arquitetura e crença. O Cerro Rico não é apenas fonte de riqueza mineral, mas uma paisagem viva cuja estrutura subterrânea molda vidas, sobrevivência e cosmologia. Trata-se de uma forma de isolamento que não equivale a independência ou liberdade: é uma necessidade imposta pelo ambiente. “Cada um por si” não descreve apenas solidão, mas uma forma inexorável de existência no espaço.

[Reprodução impressa]

Juan Pablo Bassi, El Tio, 2019. Atlas Obscura (publicação online)