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Solo

artes de viver só, juntos

arts of living alone, together


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Adam in Crimea: A Painter of Light’s Path to Paradise

Alex Fisher

“When we are lost in darkness and see a distant glimmer of light, who does not dream of a thatched cottage?” asks Gaston Bachelard in The Poetics of Space. In the late 19th century in the Russian Empire, the artist Arkhyp Kuindzhi capitalized on this dream. He did so with Moonlit Night on the Dnipro (1880), a painting depicting a clutch of cottages on a riverbank. Debuted in a one-work show in St. Petersburg, the painting was acquired by a member of the tsar’s family for a princely sum. Kuindzhi used the proceeds to purchase a large plot of land on the southernmost tip of Crimea, a peninsula in the Black Sea that his patron’s ancestors had colonized. There, he sought to create a colony of his own: an artists’ colony. Alas, his plans did not come to pass, so Kuindzhi started living solo on his estate at the edge of empire. There, according to his biographer, he dressed “in the clothes of Adam,” spending his days in the nude, bathing in the sun’s rays and painting the ever-changing sea. When night fell, he retired to his tiny house, whose roof opened like a trunk, so that he could sleep with the moon—the moon whose glow lit his path to Paradise.

[Print reproductions]

A.N. Kurbatov, Arkhyp Ivanovich in the studio, 1896. Apud M. Nevedomsky, A.I. Kuindzhi, 1913.

Arkhyp Kuindzhi, Moonlit Night on the Dnipro, 1880. Apud M. Nevedomsky, A.I. Kuindzhi, 1913.

Historical map of Crimea indicating the location of Kuindzhi’s property — Princeton University Library, late 19th century



Adão na Crimeia: o caminho de um pintor da luz ao Paraíso

Alex Fisher

"Quando estamos perdidos na escuridão e avistamos ao longe um tênue brilho de luz, quem não sonha com uma cabana de sapê?", pergunta Gaston Bachelard em A Poética do Espaço. No final do século XIX, no Império Russo, o artista Arkhyp Kuindzhi soube dar forma a esse sonho. E o fez com Noite de Luar sobre o Dnipro (1880), pintura que retrata um pequeno agrupamento de cabanas às margens do rio de mesmo nome. Apresentada em uma exposição dedicada a uma única obra, em São Petersburgo, a pintura foi adquirida por um membro da família do czar por uma soma principesca. Com os recursos obtidos, Kuindzhi comprou uma extensa propriedade no extremo sul da Crimeia, península banhada pelo Mar Negro que os antepassados de seu patrono haviam colonizado. Ali, procurou fundar sua própria colônia: uma colônia de artistas. Seus planos, porém, não se concretizaram, e Kuindzhi passou a viver sozinho em sua propriedade, nos confins do Império. Segundo seu biógrafo, vestia-se "com as roupas de Adão", passando os dias nu, banhando-se nos raios do sol e pintando o mar em suas constantes metamorfoses. Ao cair da noite, recolhia-se à sua pequena casa, cujo teto se abria como a tampa de um baú, para que pudesse dormir sob a lua — a mesma lua cujo clarão iluminava seu caminho rumo ao Paraíso.

[Reproduções impressas]

A.N. Kurbatov, Arkhyp Ivanovich no ateliê, 1896. Apud M. Nevedomsky, A.I. Kuindzhi, 1913.

Arkhyp Kuindzhi, Noite de Luar sobre o Dnipro (1880). Apud M. Nevedomsky, A.I. Kuindzhi, 1913.

Mapa histórico da Crimeia indicando a localização da propriedade de Kuindzhi - Biblioteca da Universidade de Princeton, Final do século XIX.