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Solo

artes de viver só, juntos


Não recomendado para menores de 18 anos
Sexo e nudez
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Educativo:
55 11 2648-0258
Agendamento

Imprensa:
Comunicação MAC USP

MAC USP
Av. Pedro Álvares Cabral, 1301
Ibirapura - São Paulo - SP, Brasil
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Segundas-feiras fechado
Entrada gratuita

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Apresentação

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E.E. Cummings (trad. Augusto de Campos)

A tipografia em cascata do poema de Cummings de 1960 que aproxima o l de loneliness do 1 de oneness; as letras sugerindo a queda de uma folha, condensando, em mínimos signos, imagens pendulares da solidão. O poema é um testemunho pungente dessa experiência ambígua e inquietante de ser um e, ao mesmo tempo, estar só — seu terror e seu prazer. Cada letra individual traduz exatamente aquele indivíduo afastando-se dos outros, sozinho, e ainda assim unido a eles.

Solo, do latim solus, donde o termo biológico solitarius: aquele que habita sozinho um lugar deserto — solitudo. Em contraste com a noção de que o humano é essencialmente social, o solitário carrega historicamente má reputação, em geral associado a melancolia, clausura, loucura, degredo. Ainda assim, a solidão estrutura a vida coletiva, e é magnificada por ela.

Tão suspeitos quanto os solitários, apenas os solteiros. Nos últimos dois séculos, eles se multiplicaram e passaram a assombrar a família nuclear. Sobretudo nas grandes cidades, que drenaram multidões de imigrantes avulsos do interior e do exterior para a vida em dormitórios, pensões, hotéis populares e cortiços. Ao mesmo tempo, a figura do solteiro desafiando valores burgueses de família, privacidade e propriedade, também inspiraria muita experimentação em arquitetura habitacional, individual e coletiva, para todas as classes, gêneros, idades e grupos profissionais. A solteirice jogou um papel central, ainda que subestimado, na história da arquitetura.

Hoje, adultos solteiros somam mais de um terço da humanidade, com a sociologia e a psicologia também alertando para a epidemia da solidão em escala planetária, paradoxalmente intensificada pela hiperconectividade. Solidão a dois, no grupo, em massa pode ser imposta. Mas para muitos, viver só é um caminho para a liberdade, a autoconsciência e a individualidade diante do conformismo e do tumulto da vida moderna.

Esta mostra propõe explorar múltiplas formas da vida a sós para além dos lugares comuns do eremita, do monge, da freira ou do náufrago. A ideia é sacudi-los para desvelar a multiplicidade de experiências da solidão-solitude-solteirice, como um vasto universo que ultrapassam os estereótipos da vida familiar. O rebatimento aqui de um conjunto muito instigante de obras de arte com pesquisas de doutorado na School of Architecture de Princeton e na FAU-USP, pretende assim iluminar o caleidoscópio do viver só, junto.

José Lira, Beatriz Colomina e Mark Wigley
Curadores



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E.E. Cummings

Much has been written about Cummings' poem: the cascading typography of Cummings’ 1960 poem brings the l of loneliness close to the 1 of oneness; the letters suggesting a falling leaf, condensing, in minimal signs, oscillating images of solitude. The poem is a poignant testament to the ambiguous and unsettling experience of being one and, at the same time, being alone—its terror and its pleasure. Each individual letter is exactly that individual falling away from the others, alone yet still together.

Solo, from Latin solus, whence the biological term solitarius: one who inhabits a deserted place alone — solitudo. In contrast to the notion that humans are essentially social, solitude has historically carried a bad reputation, generally associated with melancholy, seclusion, madness, exile. Yet solitude also structures social life, and is magnified by it.

As suspicious as the solitary are only the singles. In the last two centuries, they multiplied and began to haunt the nuclear family. Especially in large cities, which drew crowds of migrant singles from the countryside and abroad into life in dormitories, boarding houses, cheap hotels, and tenements. At the same time, the figure of the unmarried person challenging bourgeois values of family, privacy, and property, would also inspire much experimentation in both individual and collective housing, for all classes, genders, ages, and professional groups. Singlehood has played a major but overlooked role in architectural history.

Today, single adults make up more than a third of humanity, with sociology and psychology also warning of the epidemics of loneliness on a planetary scale, paradoxically intensified by hyperconnectivity. Solitude in a couple, group or crowd can be imposed. But for many, going solo is a path to freedom, self-awareness, and individuality in the face of conformity and the turmoil of modern life.

This exhibition proposes to explore the multiplicity of forms of being alone beyond the commonplaces of the hermit, the monk, the nun, the castaway. The idea is to shake them up to reveal the experiences of loneliness-singlehood-solitude, as a vast universe hidden by stereotypes of family life. The interplay here between a very thought-provoking set of artworks and doctoral research at Princeton’s School of Architecture and FAU-USP aims to illuminate the kaleidoscope of living alone, together.

José Lira, Beatriz Colomina and Mark Wigley
Curators

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Solo é uma condição que se conjuga no plural. As 22 inserções de pesquisa reunidas na exposição inventariam diferentes figurações da experiência de viver só: situações históricas, biográficas, institucionais, reais ou imaginárias, inevitáveis ou voluntárias. Dispositivos de moradia, trabalho, prazer e desejo que, vinculados à solidão e/ou à solteirice, ultrapassam o isolamento e falam também de encontro, sociabilidade, alegria e erotismo. Fragmentos de vida e padrões recorrentes se entrecruzam em combinações por vezes aleatórias, compondo um caleidoscópio da existência a sós. A história é, nesse sentido, tão eloquente quanto as artes, cuja força reside em enfrentar a complexidade do social, decompondo a realidade e tornando visível aquilo que resiste às generalizações.

Abrigo, de Andrea Brown, guarda algo de simbólico nesse sentido. Não apenas pela imagem clássica do telhado de duas águas, mas por sua abertura a múltiplas configurações. Sem portas ou janelas, o volume polido e essencial não remete a uma casa específica, nem a convenções de família, gênero ou classe. É, antes, um “canto” no mundo: um lugar físico, imemorial e, também, instável, à deriva entre os não-lugares contemporâneos. Sua base curva elimina a ideia arquetípica de chão, fixidez e permanência. Como uma arca, Abrigo é um ninho isolado e inviolável, flutuando livremente no espaço.

Em sentido inverso, Planta, de Leon Ferrari, transmite a sensação de uma vida solitária abrigada no interior de uma densa trama de outras vidas igualmente solitárias. Um quarteirão quadrado se desdobra como um labirinto de câmaras, pátios e corredores intermináveis, por onde figuras anônimas circulam incessantemente entre diferentes espaços de encontro. Sintomaticamente, o maior ambiente, situado no centro, é ocupado por uma única figura, enquanto os menores costumam estar apinhados. Camas se agrupam em diferentes arranjos, ocupando tanto os espaços mais expostos quanto os mais recolhidos. A distinção entre o público e o privado se dissolve. Nenhum espaço, coisa ou pessoa encontra-se plenamente isolado dos demais. Os signos padronizados de móveis, eletrodomésticos, louças sanitárias e figuras humanas, aplicados por meio de transferências Letraset, sugerem que nenhum indivíduo é de fato individual.



Solo is a condition articulated in the plural. The exhibition’s twenty-two research case studies trace multiple configurations of living alone: historical, biographical, institutional, real or imagined, inevitable or chosen. They examine forms of dwelling, labor, pleasure, and desire that, while shaped by solitude and/or singlehood, extend beyond isolation to encompass encounter, sociability, joy, and eroticism. Fragments of lived experience intersect in shifting constellations, composing a kaleidoscope of solitary existence. In this sense, history is no less eloquent than art, which engages the social by dismantling reality and revealing what resists generalization.

Within this framework, Abrigo (Shelter) by Andrea Brown assumes a symbolic dimension. Beyond its classical pitched roof, the work remains open to multiple configurations. Devoid of doors and windows, its polished, elemental volume evokes neither a specific house nor the conventions of family, gender, or class. Instead, it proposes a place of inhabitation: an immemorial yet unstable site adrift among the non-places of contemporary experience. Its curved base unsettles the archetypal notion of the house as grounded and permanent. Like a nest or an ark, Shelter is secluded and inviolate, yet suspended in continuous balance.

In reverse, Leon Ferrari’s Planta (plan) conveys a sense of solo life sheltered within a density of other solo lives. A square neighborhood unfolds as a labyrinth of chambers, courtyards and endless corridors where anonymous figures circulate ceaselessly between diverse sites of encounter. The largest space at the center is symptomatically occupied by a single figure while the smallest spaces are often crowded. Beds cluster in different combinations, occupying the most exposed spaces as well as the most withdrawn. The distinction between public and private dissolves. No space, object, or person, is fully isolated from the others. The standardized Letraset transfer symbols for furniture, appliances, sanitary fixtures, and human figures suggest that no individual is individual.

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Galeria



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