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BEIJO DE LÍNGUA

Nelson Felix


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Educativo:
55 11 2648-0258
Agendamento

Imprensa:
Sérgio Miranda
55 11 2648-0299

MAC USP
Av. Pedro Álvares Cabral, 1301
Ibirapura - São Paulo - SP, Brasil
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Segundas-feiras fechado
Entrada gratuita

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Apresentação

Beijo de Língua parte de uma observação: “aemara” (aimara, em espanhol) e “aramea” (aramaico, também em espanhol) formam um palíndromo. Nelson Felix identifica essa coincidência em 1978 e passa a carregá-la ao longo de décadas. Trata-se de uma ideia que permanece ativa, sendo retomada e reelaborada até encontrar sua materialização na exposição apresentada no MAC USP.

No núcleo central da exposição, três esculturas são construídas a partir de chapas de mármore escavadas, nas quais textos de autores caros ao artista apresentam questões importantes para sua visão de mundo: a criação vinculada ao sacrifício, o amor como experiência que atravessa o corpo e a formulação de uma vida que se baseia na tolerância. Essas esculturas se desdobram em Beijo de Língua, em que esses pensamentos são reinscritos em duas línguas que se encontram por espelhamento, aramea e aemara. A cola, incorporada como procedimento, torna visível a operação que mantém juntas partes que não coincidem, preservando a espessura do encontro.

Ainda no térreo, a série Vazio Coração explicita um dos princípios centrais do trabalho de Felix, a recusa da composição centrada na visualidade e a busca por ancorar as decisões artísticas nas relações entre tempo, matéria e posição no mundo, o que o levou a recorrer a ordens de medida como os ritmos do corpo, as coordenadas geográficas, ou ainda medidas astronômicas.

O conjunto de desenhos no mezanino demonstra o campo de experimentação de procedimentos, materiais e referências do artista. Diferentes séries colocam esse campo em movimento, mostrando um modo de trabalho que retoma e transforma motivos ao longo do tempo. Percebe-se que o desenho é o espaço de criação do artista – a sua língua, como afirmou Felix – no qual ideias são experimentadas e organizadas, revelando a construção da obra como um processo contínuo de pensamento.

Ao longo da exposição, esculturas, desenhos e fotografias se articulam como partes de um mesmo campo de trabalho. Linguagem, matéria e tempo são tratados como dimensões interligadas, continuamente retomadas e transformadas. A apresentação desse conjunto em um museu universitário é particularmente significativa. Ela reafirma o papel dessas instituições como espaços de pesquisa, experimentação e formação crítica, capazes de acolher práticas que investigam a própria arte.

Ao longo da exposição, uma série de conversas, encontros e ativações mediadas será realizada como parte das atividades extensionistas da universidade, ampliando o contato do público com os processos e questões que estruturam o trabalho de Nelson Felix.

Fernanda Pitta

Curadora


Presentation

French Kiss originates from an observation: “aemara” (Aymara, in Spanish) and “aramea” (Aramaic, also in Spanish) form a palindrome. Nelson Felix identified this coincidence in 1978 and has carried it with him for decades. It is an idea that remains active, revisited and reworked until finding its materialization in the exhibition presented at MAC USP.

At the core of the exhibition, three sculptures are built from carved marble slabs, inscribed with texts by authors dear to the artist, presenting central questions for his worldview: creation linked to sacrifice, love as an experience that traverses the body, and the formulation of a life based on tolerance. These sculptures unfold into Beijo de Língua, where these thoughts are reinscribed in two languages that meet through mirroring: Aramaic and Aymara. Glue, incorporated as a procedure, makes visible the operation that holds together parts that do not coincide, preserving the thickness of the encounter.

Also on the ground floor, the series Empty Heart makes explicit one of the central principles of Felix’s work: the refusal of a composition centered on visuality and the search to anchor artistic decisions in the relations between time, matter, and position in the world. This led him to resort to systems of measurement such as bodily rhythms, geographic coordinates, or astronomical measures.

The set of drawings on the mezzanine demonstrates the artist’s field of experimentation with procedures, materials, and references. Different series set this field in motion, showing a working method that revisits and transforms motifs over time. Drawing is perceived as the artist’s space of creation—his language, as Felix himself affirmed—in which ideas are tested and organized, revealing the construction of the work as a continuous process of thought.

Throughout the exhibition, sculptures, drawings, and photographs articulate themselves as parts of the same field of work. Language, matter, and time are treated as interconnected dimensions, continuously revisited and transformed. Presenting this body of work in a university museum is particularly significant, reaffirming the role of such institutions as spaces of research, experimentation, and critical formation, capable of embracing practices that investigate art itself.

As part of the university’s extension activities, a series of conversations, encounters, and mediated activations will be held, expanding the public’s engagement with the processes and questions that structure Nelson Felix’s work.

Fernanda Pitta

Curator

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Galeria



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